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Reeleição de Lula: o que esperar da energia solar até 2030

Reeleição de Lula: o que esperar da energia solar até 2030

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Com o quarto mandato, que vai de 2027 a 2030, a pergunta que chega a todo integrador é a mesma: o que muda para a energia solar?

A leitura predominante no setor elétrico é de continuidade. Boa parte das regras que vão mexer com o mercado solar nos próximos anos já está aprovada e tem calendário definido. Abaixo, reunimos o que o plano de governo diz sobre energia, o que já está em andamento e o que o integrador deve acompanhar.

O que o plano de governo diz sobre energia

O programa registrado no TSE trata de energia de forma ampla. Os pontos que mais conversam com o mercado solar são:

  • Mais renováveis na matriz: aumentar a participação das fontes renováveis e coordenar a expansão da geração e da transmissão para reduzir as restrições na rede.
  • Armazenamento e baterias: ampliar os investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico e abrir "uma nova fronteira de investimentos em baterias".
  • Conta de luz: o tema aparece pela ótica da justiça tarifária, com a promessa de discutir formas de reduzir o custo da energia para residências e empresas.
  • Energia no campo: universalizar o acesso à energia elétrica na zona rural, priorizando solar e eólica.
  • Indústria e data centers: atrair indústrias eletrointensivas (com destaque para o Nordeste), hidrogênio de baixo carbono e data centers abastecidos por fontes 100% renováveis.

Um ponto importante: segundo as análises do Canal Solar e da pv magazine, a geração distribuída (GD) não aparece como tema próprio no plano, e o documento não traz metas de potência solar nem de capacidade de armazenamento.

No primeiro discurso após a vitória, Lula defendeu usar o potencial energético do país para atrair data centers, mas não detalhou medidas para o setor elétrico.

O que já está definido e não depende da eleição

Para o dia a dia de quem vende e instala sistemas, as mudanças mais concretas já estão em lei, com datas marcadas:

  • Fio B da Lei 14.300: para os sistemas enquadrados nas regras de transição (GD II), a parcela paga da TUSD Fio B sobe para 75% em 2027 e 90% em 2028. As regras a partir de 2029 serão definidas pela ANEEL.
  • Reforma do setor elétrico (Lei 15.269/2025): manteve os direitos adquiridos da GD previstos na Lei 14.300, inclusive para quem protocolou o pedido de acesso dentro dos prazos. Para projetos novos, parte das regras (como ampliações e limites de compensação) ficou para regulamentação da ANEEL.
  • Abertura do mercado livre: clientes comerciais e industriais de baixa tensão poderão escolher o fornecedor de energia até novembro de 2027, e todos os consumidores, incluindo os residenciais, até novembro de 2028. Lula defendeu a medida durante a campanha como forma de reduzir a conta de luz.
  • Primeiros leilões de baterias: os leilões de reserva de capacidade com armazenamento estão marcados para 2 e 4 de dezembro de 2026, com suprimento a partir de agosto de 2028. A ANEEL aprovou a regulamentação do armazenamento em junho de 2026.
  • Redata: o regime de tributação para data centers, sancionado em setembro, exige suprimento por fontes renováveis ou de baixa emissão, mas ainda depende de regulamentação.

O que o setor solar está pedindo

Logo após o resultado, a ABSOLAR parabenizou o presidente reeleito e listou suas prioridades para 2027 a 2030:

  • Combate ao curtailment: no primeiro trimestre de 2026, 17,2% do potencial de geração solar e eólica foi cortado, por falta de demanda e de armazenamento.
  • Novas cargas: a proposta "Energia que Emprega" reúne data centers, indústria de baixo carbono, hidrogênio verde e eletromobilidade e, segundo a entidade, viabilizaria 18 GW em novas usinas solares.
  • Redes: mais investimento em transmissão e distribuição, apontadas como gargalo.
  • Baterias: contratações anuais de armazenamento e redução da carga tributária sobre baterias, que, segundo a associação, chega a 84,8%.

Pontos de atenção

  • Congresso: a nova composição deve exigir mais negociação do governo, o que pode atrasar pautas como a regulamentação do Redata e eventuais mudanças nos encargos da conta de luz.
  • Ministério de Minas e Energia: o mercado acompanha se haverá troca no comando da pasta, hoje com Alexandre Silveira.
  • Regras da ANEEL para a GD: as definições que ficaram para a agência, e as regras do Fio B a partir de 2029, vão pesar mais no payback dos novos projetos do que qualquer promessa de campanha.

O que isso significa para o integrador

O cenário é de previsibilidade nas regras e de um mercado que continua mudando. Na prática, alguns movimentos fazem sentido desde já:

  • Refaça as contas com o Fio B do ano certo: propostas de 2027 precisam considerar os 75%. Um payback bem explicado passa mais confiança do que um número otimista.
  • Prepare a oferta de armazenamento: com o marco das baterias e os leilões, sistemas híbridos e baterias tendem a ganhar espaço, especialmente onde há cortes de geração e quedas de energia.
  • Entenda o mercado livre: a partir de 2027, seus clientes comerciais vão ouvir falar de portabilidade de energia. Saber comparar GD e mercado livre vira diferencial na venda.
  • Olhe para o campo: a universalização da energia rural com solar está entre as prioridades do plano.
  • Organize o funil: com regras mudando ano a ano, acompanhar cada proposta, reajustar valores e voltar aos clientes que ficaram em dúvida faz diferença no fechamento. É para isso que existe a Azume, o CRM feito para integradores solares.

Fontes